DEPENDÊNCIA EMOCIONAL NO RELACIONAMENTO AFETIVO

Dependência emocional é amor ou apego?

A dependência emocional no relacionamento a dois, também chamada de dependência afetiva, apresenta-se mascarada de sentimento de amor “quase incondicional”, mas na verdade, vive-se um apego.

 A pessoa condiciona-se a viver de amor para o outro, mas não entende o significado real desta palavra. O amor é livre e apresenta-se em paz e calmaria, não necessita de nada, apenas se sente feliz em complementar a sua vida com a presença do outro. Na dependência afetiva, vive-se para o outro, pois necessita do outro.

É um relacionamento que caminha para a prisão do Nós, para uma implosão dos significados de si e do outro, impedindo a evolução natural do relacionar-se. Há uma estagnação. Nada cresce, nada evolui, apenas poda-se, extirpando o que resta de auto estima, capacidade de sonhar e realizar, felicidade, paz, saúde física e emocional e principalmente o acreditar e creditar esperanças em seu futuro. Vive-se em escuridão.

Em muitos casos de dependência emocional, a afetividade doada ao outro é de idolatria.

Inicia-se um namoro e o outro se torna provedor de todas as suas necessidades, mantenedor de seus significados e proprietário de tudo que lhe pertence, inclusive, seu corpo, seu cabelo, suas roupas, sua forma de agir, suas palavras, seus amigos, suas decisões, sua alegria, seu sucesso e seu dinheiro.

Você não pode mais ser você, o outro não gosta. Nada mais você pode fazer, sem consulta-lo, afinal, ele te ama e faz tudo por você. Quando você menos percebe está agindo assim:

"O que seria de minha vida sem ele? Ele é muito inteligente e está sempre certo, quando me corrige é porque quer uma mulher decente do lado dele e pensando bem, eu não sei mesmo fazer as coisas direito. Quando ele manda eu tirar aquela roupa que estou usando senão não vai sair comigo, ele está certo, tenho que ser do jeito que ele gosta, senão ele procura outra. Já não posso mais cortar o meu cabelo como eu gosto, senão ele briga comigo e diz que estou horrível.
Ele sempre aponta que estou gorda e meu corpo não é tão bonito quanto aquela gostosa da tv. Quando ele diz que não tenho capacidades de me realizar profissionalmente, é porque me ama e faz tudo por mim. O dinheiro que ganho é nosso e ele sabe o que fazer com o nosso dinheiro, eu nem sei o quanto ele ganha e nem precisa, pois o que eu faria?  Ele cuida de tudo para mim. Já não visito mais minha família porque ele não gosta e afinal, ele não é bem recebido lá. Também não tenho mais amigos, porque para ele todas as minhas amigas não prestam, acho que ele tem razão, mas eu me sentia tão bem quando conversava com aquela minha amiga, sinto falta dela, mas não quero que ele brigue comigo, porque quando ele fica nervoso, explode e fala, fala tanto que acaba comigo.
Me diz tantas coisas que acho que ele tem razão, eu não tenho muito valor e nem mereço ter um homem tão inteligente ao meu lado, que me ama tanto. Não quero perdê-lo, sei que as vezes ele exagera, mas é apenas porque fica nervoso comigo. Nos momentos (raros) que ele é carinhoso comigo, me sinto que sou a pessoa mais amada do mundo. Faço de tudo para ele ficar comigo. Se ele for embora eu morro…"

Lamentável! Mas é assim e muito mais. Estou citando aqui o caso de mulheres dependentes afetivamente do homem, mas o contrário também existe.

Lembrando que em casais do mesmo sexo, o problema é o mesmo. Nesse contexto do homem dependente, o homem se sente castrado e seus potenciais extirpados. A produção de trabalho ligada ao dinheiro é afetada juntamente com a produção sexual. Auto estima baixa muito comum nos homens modernos, acentua-se com a castração desses potenciais. Falaremos mais sobre isso em outro momento.

Mas porquê mulheres inteligentes caem nesta cilada?

A dependência emocional não escolhe idade, classe social, orientação sexual, cultura e poder de escolha. Ela chega e quando menos percebe já está envolvido, mas sair dela pode ser uma escolha.

Lembrando que é muito difícil se libertar, precisando envolver, de preferência um profissional que ajudará a entender os processos psicológicos envolvidos nesta afetividade, e assim, fortalecer o poder de escolha, decisão e permissão de sair dessa situação.

Muitas vezes a vítima se coloca nessa posição pelo desejo de exclusividade. Ela tem uma ideia de posse e propriedade também e no início ele chega com muito amor para dar. É a imagem do príncipe. Ele dá atenção, amor, carinho e tudo aquilo que ela não conseguiu ter em outros relacionamentos e também atenção e afeto não satisfeitos de seus parentais – como pai e mãe.

Ele circunda sua vida e ela é a princesa, só não percebe que está presa em seu castelo. Mas ela o tem só para si. Os dias vão se passando e de repente percebe-se em uma masmorra, esperando a hora que seu príncipe lhe traga uma migalha de afeto. Perde as forças e mesmo reconhecendo que já não é mais isso que gostaria para a sua vida, não consegue dissolver o medo de perder o seu algoz.

https://youtu.be/22M3TOU-SUE

Os dependentes emocionais são pessoas extremamente carentes de amor

Necessitam do outro para se sentirem preenchidas dessas emoções. Se apega facilmente a qualquer promessa e gestos de carinho, promovendo em sua vida relacionamentos baseados em apegos e não amor.

Suas relações são destrutivas e com repetições de padrões de não merecimento de ser amada. Não se sente digna de ser amada, por isso se sabota saindo de um relacionamento e já entrando em outro, sempre esperando que o outro lhe traga mais amor. Como seus padrões são os mesmos, atrai sempre homens que vão lhe maltratar e minar a sua auto estima.

Sempre acreditam que vão mudar o comportamento do homem para que ele lhe ame como ela merece. Fazem barganhas pelo afeto dele dando lhe dinheiro, comprando o que ele deseja, aceitando outras mulheres.

Apresentam as seguintes características:

• Não consegue imaginar a vida sem a pessoa
• Não se sente digna de ser amada
• Auto estima baixa
• Não consegue ficar sem um relacionamento
• Tem pavor de ficar só, é necessário ter pessoas por perto
• Procura sempre controlar a vida do outro
• Sente ciúmes de amigos, pais, irmãos
• Sente sua vida estagnada e sem coragem para o novo
• Relação empobrecida com amigos
• Necessidade de apego e exclusivismo
• Ameaças e chantagens para o outro lhe dar amor
• Uso do dinheiro, presentes e poder para barganhar afeto
• Desejo de suprir todas as vontades do outro
• Raivas quando suas expectativas não são supridas
• Sentimento de menos valia, abandono, rejeição, etc…

Então podemos pensar que a vítima atrai o algoz e a vítima não é tão vítima assim, mas atrai sempre o mesmo padrão de pessoas para se relacionar, porque ainda não sabe que tem todo o merecimento de ser amada e também porque ainda não percebeu que vive na escuridão e não no amor.

Enquanto buscar relações nesse nível, só vai encontrar homens com desvio de caráter, cafajestes, homens indisponíveis e vai continuar tentando salvar a criatura pela luz do amor, continuando também a colocar a sua vida e sua felicidade nas mãos do outro. O outro só dá conta daquilo que dá conta no momento, então, não poderá dar conta do que ela quer, amor e felicidade.

Mas com todo o sofrimento, ela pode provar mais uma vez que o mundo é injusto, o amor não existe e ela nasceu para sofrer.

Tina Muniz

Psicoterapeuta, graduada em psicologia, especialista Relacionamentos Afetivos e Amorosos. Há mais de 25 anos ajudando pessoas a se reencontrarem em seus relacionamentos e descobrirem o Ser Perfeito que são.

Coach Giardino
Executive & Life Coach
http://www.ricardogiardino.com
(71) 98545-4125

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