Planejamento Estratégico: Uma forte ferramenta no exercício da gestão escolar em busca de melhores resultados educacionais

Por Solange Cezário Gomes Ribeiro Cruz

 

Atualmente, sou consultora em um programa de formação de gestores escolares de escolas públicas, e não raramente ouço as queixas desses atores em relação à sobrecarga de trabalho, ou mesmo de estarem “apagando incêndios” , correndo atrás do prejuízo e muitas vezes não conseguem dar conta de suas atividades, como também acabam sendo conduzidos por situações inesperadas do dia a dia, não tendo tempo para pensar, planejar e estruturar a melhor forma de resolver todos os problemas existentes na escola e seguem em busca de um foco e de ferramentas para ajudá-los nessa questão.

De acordo com Castro, et al 2015 apud Lück (2000, p.2), o que se observa, muitas vezes, no ambiente escolar é que:

Acredito muito nessa formação, como maneira de desenvolver competências nos gestores escolares de modo a conduzir a resolução eficiente e eficaz de muitos problemas existentes na escola, por meio de um planejamento estratégico que conduzirá a elaboração de um Plano de Ação que tem grande impacto na aprendizagem dos alunos.

Sendo assim, uma pergunta muito importante a ser feita é: como o gestor escolar pode solucionar tantos problemas ao mesmo tempo? Como dar conta de tantas atividades e de forma ágil e inteligente?

Dentre as alternativas para tornar possível a melhoria de todos os processos dentro da escola, uma delas é trabalhar em uma perspectiva de gestão estratégica. De acordo com o dicionário Aurélio, “estratégia” é a combinação engenhosa para se conseguir um fim. Então, como se aplica esse conceito à realidade de uma liderança escolar?

Para se conseguir um fim, sabemos que é necessário traçar um plano. Mas qual a diferença entre plano e planejamento estratégico?

No plano, temos, assim como um plano de aula, uma sequência ordenada de ações para atingir um objetivo. Já no planejamento estratégico, é um modus operandi de planejar ações a partir de um diagnóstico da realidade, gerindo, planejando e executando ações detalhadas para alcançar objetivos e metas traçadas.

De acordo com Sun Tzu, um general chinês que viveu há milhares de anos que conseguiu acumular diversas vitórias em suas batalhas, seguindo alguns princípios para seus planos estratégicos dentre eles que é “Conheça o seu inimigo como a si mesmo e não precisa temer o resultado de cem batalhas”. Desta maneira, de acordo com Dalcorso (2017) é possível estabelecer uma analogia entre o general que quer vencer a sua batalha e o gestor escolar que quer melhorar a aprendizagem de seus alunos. O gestor escolar que conhece seu ambiente escolar, interno e externo e os recursos humanos e físicos e financeiros, assim como, os seus inimigos, ou seja, os problemas e desafios, as vitórias serão certas. No entanto, se o gestor não conhece sua escola e desafios e nem a si mesmo, dificilmente conseguirá vencer essa batalha.

Partindo desse pressuposto, na gestão escolar o planejamento estratégico é aquele que permite conhecer a realidade, por meio de um processo de avaliação detalhado, traçando encaminhamentos para o futuro com base nas prioridades identificadas.

Dessa maneira, o conhecimento da realidade, de acordo com Dalcorso (2017), faz-se a partir de uma perspectiva de gestão democrática e participativa, o que proporcionará uma visão sistêmica,  pois mesmo que o gestor escolar tenha maravilhosos planos, mas se não conseguir envolver a comunidade escolar em torno desse plano a batalha dificilmente será vencida. Além disso, o conhecimento do todo se dará a partir do momento que o gestor passe a ouvir partes desse todo. Desta forma, é necessário articular todos os segmentos da comunidade escolar, incluindo gestão, funcionários de todas as áreas da escola, alunos, família e professores em busca de soluções para os problemas e desafios enfrentados.  Assim, teremos a equipe estratégica, pois quando as pessoas estão se vendo como parte do processo tendem a colaborar e a lutar pela mesma causa.

O gestor escolar tem um papel bem importante nessa equipe estratégica, pois ele conhece os recursos, as legislações e assim poderá ajudar nos encaminhamentos possíveis tirados da equipe a partir de uma escuta ativa dos problemas que são enfrentados por cada segmento da escola.

Existem diversas maneiras de engajar a equipe para realizar o planejamento estratégico da escola, dentre elas a roda de conversa, mencionada pela formadora da Elos Educacional Ana Luzia da Silva Vieira em seu texto para esse blog:  Construindo o PPP por meio de rodas de conversa.

Estabelecida a equipe estratégica, de acordo com Dalcorso (2017), é importante realizar um diagnóstico da realidade escolar, isto é, fazer um levantamento de dados e informações sobre a escola, isto é a caracterização da comunidade escolar, dados estes que podem ser levantados por essa equipe, utilizando as mais diferentes estratégias, sejam elas entrevistas, por meio de atas de reuniões de pais, ficha de matrículas dos alunos, além disso a tecnologia pode ser uma grande aliada, painéis de opinião, ou mesmo por meio de redes sociais é possível criar ótimos canais de comunicação com a comunidade por meio do facebook, instagran, Whatsapp e twiter. Com esses dados, é possível, por exemplo, saber a classe sócioeconômica que os alunos da escola pertencem, a localidade onde moram, cor/raça, gênero, entre outros. Além disso,  listar a infraestrutura disponível na escola e assim conhecendo essa realidade, analisar as necessidades e viabilidades de encaminhamentos.

A partir desse conhecimento da realidade, a análise dos critérios de qualidade da escola pode ser feita, utilizando alguns documentos do Ministério da Educação,  dentre eles o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), citado por Claudia Zuppini Dalcorso em seu livro “Planejamento estratégico: um instrumento para o gestor de escola pública”. Neste documento, podemos encontrar alguns critérios sobre o ensino e aprendizagem, clima escolar, pais e comunidade, gestão de pessoas, gestão de processos, infraestrutura, gestão de resultados.  Este é um importante exercício para o gestor escolar com relação a gestão de conflitos, pois certamente surgirão nessa análise. A escola poderá definir formas de analisar, uma delas sugerida pela mesma autora do livro mencionado acima é a por meio de cores, atribuindo a cor para cada significado.

Passado por esse processo de análise dos critérios de qualidade é momento de fazer a avaliação estratégica, que pode ser realizada por meio da análise SWOT (em inglês), traduzido para o português como FOFA, ou seja, conhecimento das forças e fraquezas relacionadas ao ambiente interno da escola e as oportunidades e ameaças, relacionadas ao ambiente externo da escola.  Este é um momento muito importante do planejamento estratégico, pois por meio desta análise será possível traçar encaminhamentos e elencar uma prioridade para a realização do Plano de Ação da escola. Não se esqueça da importância de realizar as outras fases anteriormente descritas desse diagnóstico da realidade que é a caracterização da comunidade escolar e análise dos critérios de qualidade.

De acordo com Dalcorso (2017), feita a análise FOFA, mediada pela equipe gestora, a equipe deve marcar cada um dos fatores que surgiram da discussão, sendo:

Questões que TÊM que ser abordadas imediatamente;

Questões que PODEM ser abordadas agora.

Questões que DEVEM ser investigadas mais profundamente;

Questões que PODEM ser planejadas.

Dessa forma, chegamos a fase de elaboração do Plano de Ação, em que é muito importante que essa equipe estratégica a partir de uma gestão democrática e participativa, eleja uma prioridade, buscando as soluções para os problemas elencados, usando as forças e oportunidades para minimizar as fraquezas e ameaças.

Para ser, de fato, estratégico, esse Plano requer a análise dos dados coletados na caracterização da comunidade, avaliação dos critérios de qualidade e avaliação estratégica FOFA, e definir: um objetivo específico, um indicador que seja a métrica desse objetivo, ações que conduzam a atingi-lo, responsáveis por cada ação, prazos precisos com início e término, instrumentos de avaliação como evidências da execução das ações. Nesse sentido, algumas perguntas devem ser feitas, com base em Dalcorso (2012):

  1. Os objetivos são viáveis de serem atingidos, como também mensuráveis pelo indicador proposto e impactam na aprendizagem dos alunos?
  2. As ações são factíveis e conduzem ao objetivo proposto?
  3. Os responsáveis nomeados possuem competência e governabilidade para agir?
  4. O tempo determinado para cada ação é factível?
  5. Os instrumentos de avaliação de fato, conduzem às evidências que as ações foram realizadas e as metas atingidas?

Temos agora a fase da implementação desse Plano de ação, mas para isso usarei um esquema ilustrativo, adaptado de Dalcorso (2017) que resumirá como pode ser realizado esse acompanhamento pela equipe estratégica:

Bem, chegamos ao fim dessa conversa! Espero que eu tenha contribuído para o seu dia a dia como gestor escolar, para que possa atuar de forma mais estratégica em busca da melhoria da aprendizagem dos alunos e consequentemente os resultados das avaliações internas e externas de sua escola.

BIBLIOGRAFIA:

CASTRO, et al. Planejamento estratégico como ferramenta para a gestão escolar: um estudo de caso em uma instituição de ensino filantrópica da Bahia/BA. Disponível em: http://www2.ifrn.edu.br/ojs/index.php/HOLOS/article/view/2675. Acesso em 27/05/2018.

DALCORSO, C.Z. O Planejamento estratégico: um instrumento para o gestor da escola pública. São Paulo: Paco Editoria, 2017.

LUCK, H. Dimensões da gestão escolar e suas competências. Curitiba: Editora Positivo, 2009.

 

Leia mais sobre o assunto:

Como uma gestão escolar eficiente pode otimizar os processos da sua escola

Planejamento estratégico: garantindo a melhoria na qualidade da educação

O que faz um bom Diretor de Escola

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Coach Giardino

Coach Educacional

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E-mail: contato@ricardogiardino.com

Publicado por

Coach Giardino

Paulistano de alma e baiano de coração, pedagogo, escritor e autodidata Coach Giardino deixou São Paulo com a família aos seis meses para morar em Salvador. Se profissionalizou em Contabilidade, Gestão Comercial e Executive & Life Coach, até que saiu pelo mundo sedento por ampliar seus horizontes. Viveu Barcelona, Girona e Tarragona provincias espanholas por aproximadamente 12 anos. Cresceu em meio à ruas nostálgicas de Salvador, tanto as antigas e as modernas. Curioso do desconhecido, do comportamento humano e ciente das muitas possibilidades. Protetor apaixonado das crianças e das mulheres, especialmente no Brasil e ao redor do mundo. Missão> Facilitar para que clientes reconheçam e se apropriem de seus potenciais internos e com base transformem seus sonhos em metas realizáveis.

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